Carta para a escrita



Posso contar o que me paira pela cabeça? Claro que posso, contigo posso tudo. As palavras são minhas, a interpretação cabe-te a ti. 

Não sou uma pessoa fácil de lidar, tenho inseguranças. Essas inseguranças durante toda a minha vida foram as minhas piores inimigas, mas também o ombro amigo das minhas lágrimas. 

Ando magoada com a vida. É a realidade, eu consto numa guerra que tenho o receio de cair, de ser derrotada. (eu já fui derrotada). A minha auto-estima está nos níveis mais baixos que todos os números menos que zero possíveis e imaginários. O meu peso torna-se uma luta constante. Uma batalha que não consigo vencer. 

A minha saúde mental não me permite conseguir ter uma vida serena. É por isso que o peso destas palavras escritas tem mais gordura que eu. 

Uma vez disseram-me: " Tu tens uma força extrema, se fosses outra, com todas as circunstancias da vida, e por tudo o que já passaste, não terias a força e a capacidade de sair à rua " mal sabem... eu já fui mais forte que agora, toda a força que tinha foi-se desfazendo tal como o meu peso. Desapareceu. Estão quase nulas. É complicado. 

Não pretendo fazer-me de vítima perante ti. Mas tu socorres muita gente que te escreve e que sorri pelas ruas como se não se passasse nada com elas mesmas. Quando tu sabes que isso não é verdade. Pode haver sorrisos e dor, pode haver lágrimas e rancor. Como pode haver vaidade e falta de auto-estima ou pessoas que aparentam ter muita saúde e estão doentes. 

 É por todas estas situações que até ando a fugir de ti e a encontrar-me mais vezes pelos sonhos. Lá, não sinto nada. Só as minhas inseguranças e inquietações.




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