Um chá, uma vela e ansiedade às dúzias.
Cheguei a casa, vesti o meu pijama, pus um chá de laranja e canela a fazer (que nunca tinha provado por sinal) e enquanto isso, coloquei a minha vela de pêssego sobre a mesa, acendi-a e dirigi-me ao sofá, onde teria colocado a minha mochila, retirando dela o meu caderno onde escrevo as palavras mais sombrias e doces que me passam pela mente praticamente todos os dias.
Coloquei, assim, este também sobre a mesa juntamente com a caneta que escrevo sempre no mesmo.
Fui buscar o chá, o telemóvel e os fones. Já com o telemóvel em modo avião (para permitir a minha concentração toda nas palavras da minha mente para as transcrever no papel), liguei os fones, coloquei uma música aleatória ao qual já me disse muito e muitas das vezes que a ouvia acabava sempre por me abraçar nas minhas próprias lágrimas. Hoje, ouço-a na maior das calmas enquanto bebo o meu chá e escrevo nesta página que parece não ter um fim.
Realmente a vida deve ser devidamente valorizada, nos mais pequenos gestos.
Quem vai, não merecia de maneira nenhuma ficar e cabe-nos aceitar ou não que a pessoa tenha desaparecido na nossa vida porque quis ou porque a vida assim o permitiria, ou guardar-mos rancor dessa pessoa por não ter ficado.
Devemos desculpar-nos a nós mesmos e aceitar-mos tudo. Perdoar-nos por tudo e não nos culpar-nos constantemente por coisas que não tivemos culpa. Cujo não foi graças a nós que as coisas tenham acontecido. Tudo chega onde tem de chegar.
Se não valorizaram quando nos tinham ali, porquê valorizar quando vamos embora?
Tudo deverá ser relativizado. "Relativiza" dizem-me a toda a hora por deixar que a ansiedade tome conta de mim até às 3h da manhã e crio constantemente situações na minha cabeça.
Parece que chego a pontos da loucura a toda a santa hora.
A ansiedade é isso mesmo. Ela toma conta de nós e nós, não conseguimos evitar que isso aconteça. Ela esmaga-nos a motivação, porque nos sentimos cansados de tudo e por nada.
Contudo, uma vez que já acabei o meu chá, vou deixar a vela acesa para ter companhia enquanto fumo mais um cigarro para a ansiedade me deixar por breves momentos.

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