A nossa despedida.


Ali estávamos nós. Lado a lado. Sentados num banco no meio da rua. Eu debruçada em lágrimas, ele a olhar para o horizonte que por ali pairava. 

De repente, levantou-se, com o intuito de não querer ficar ali e me deixar acompanhada com o lago de lágrimas que estaria naquele momento. Levantei-me seguidamente a ele, agarrei-lhe no braço, chamei-o baixinho (como quem já nem sequer tinha forças para mais nada), ele virou-se para mim e disse-lhe: “Fica”. Ele olhou-me nos olhos enquanto me aproximava dele. Beijei-o, beijou-me e beijá-mo-nos num espaço incompreendido de segundos. 

Mas aquele beijo soube exatamente como o primeiro, apaixonante, quente e intenso. Contudo, era o nosso último beijo. O beijo da nossa despedida que nem este era o suficiente para continuarmos a amar-nos perdidamente um pelo outro. Nós éramos um conjunto de erros contínuos que insistiam demasiadas vezes para dar certo. Existentes para errar. Os dois. Em conjunto seriamos apenas isso e apesar de nos amarmos, não podíamos estar juntos… porque a vida assim o permitia. Na esperança que, o destino nos juntasse daqui por alguns anos, quando passarmos ambos numa rua pela capital e nos esbarrarmos um no outro como na primeira vez. 

Com a mão dele, segurou o meu rosto enquanto nos beijáramos e ele saberia que isso me fraquejava, era um dos meus pontos fracos (e ele conheceu os todos muito bem), quando os nossos lábios se descolaram, mais uma vez olhou-me nos olhos com aquele ar de desiludido pela vida de não poder ter a pessoa que mais amava presente na vida dele e ainda com a mão no meu rosto em volta da minha orelha disse-me: “Eu amo-te, mas não posso ficar.” deu-me um beijo na testa (daqueles que, se tornam demorados por não querer ir) e, tirando a mão dele do meu rosto, virou-me costas e deixou-me ali. Aquelas palavras pairavam na minha cabeça infinitas vezes numa questão de segundos até já não ter mais forças para me segurar a mim mesma e as minhas pernas se terem abraçado ao chão da calçada quando me sentei nele. Aquilo teria acabado comigo, me devastou completamente. Eu saberia que não era suficiente para o fazer ficar porque nada nos mantinha já unidos, nem mesmo o nosso amor. O nosso amor seria forte, mas não daria para tanto.  

E eu passei meses e confortar-me com a ida dele, nunca com sucesso e hoje, hoje ele mais uma vez me toca com o vento que bate na minha cara e percorre o meu corpo que sabe ao toque e cheira ao aroma dele. À medida que o tempo passa, as saudades que tenho por ele só conseguem aumentar e o beijo dele continuará a ser só dele.

Não é que esteja dependente dele, mas ainda dói não o ter por perto para contar como foi o meu dia, para me acarinhar ao fim da noite quando chego a casa após um dia duro de trabalho. Ele simplesmente não está lá, e aperta-me o coração cada vez mais por o ver apenas nas minhas memórias espalhadas pela casa. Ele já não está nos domingos à tarde, naqueles domingos deprimentes em que só queres chocolate, séries e a companhia de alguém. Não me enche de mimos, mas mata-me de saudades. A ausência dele consegue corroer. 

E sem ser o nosso encontro, a maneira como nos conhecemos, a vida pregou-nos mais uma partida e afastou-nos sem qualquer tipo de compaixão. Estará nas mãos dela agora a nossa junção? Ou dependerá de nós? Ficarmos sedentos um do outro e nos amar-mos para o resto das nossas vidas sem sequer estarmos juntos? Ou lutar-mos para dar-mos certo mesmo sendo como o sol e a lua? 



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