Fomos dois pequenos tornados



Precisávamos de tempo. Acho que foi esse o mal de um todo que se poderia ter passado, o que se passou em torno disso e tudo o que aconteceu e por bem ou mal, nos desgastou aos dois. 

Precisávamos de deixar a poeira assentar e o tornado evaporar. E assim foi. 

Nós fomos dois pequeninos tornados que se formaram num só por alguns meses e chocávamos de modo a que fazíamos males um ao outro e apenas necessitávamos de nos afastar. 

Parecendo que não, isso foi o que ambos precisávamos. 

Cada vez que o nosso grupo de amigos se reunia havia sentimentos de possível raiva ou mau estar entre nós dois e o sentimento de ponderação ou reconciliação estaria fora do alcance. 

Até tu teres aparecido ali, depois de algum tempo, tudo se ter evaporado, todo o mal que eu sentia que tu me proporcionaste. 

O passado foi posto de lado e, sinceramente, foi o que mais precisei. Deixar tudo no seu devido lugar e não trazer nada mais de negativo para a frente, carregar sequer comigo como quem tem as costas largas e aguenta tudo e mais alguma coisa. 

Eu aguentei muito de muita gente, carreguei problemas, stresses, raivas, dores e tristezas, carreguei acima de tudo o negativismo e trazia sempre as bagagens do passado comigo. Foi esse o meu pior erro, deixar o passado atrapalhar o meu presente e provavelmente interferir no meu futuro. 

Achei que não havia necessidade de carregar mais nada que não me beneficie na vida,  transportar sofrimentos traz-nos uma dor maior. E eu cansei-me de suportar obscuridades.

Contigo, foi caso de deixar tudo repousar e não querer remexer mais em tudo o que teríamos passado os dois. 

Isso só piorava e falar nisso, era o pior. Vamos deixar o passado no passado.





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