Não sou crente em Deus.


Não sou religiosa, não sou crente em Deus nenhum nem qualquer tipo de Jesus que possa existir que tanto falam por aí.

Provavelmente é um “choque” para a maioria das pessoas que me conhece desde praticamente criança, que me via a ir à Catequese e às missas ou quando me viam a cantar no coro. E sim, antes de um acontecimento ter sucedido na minha vida, eu acreditava. Não muito, mas acreditava e tinha fé.

Acho que escolhi o dia exato para dizer tudo isto, por isso é que não ligo ABSOLUTAMENTE NADA à Pascoa, tal como já liguei mais ao Natal, por exemplo. 

Como uma vez disse a uma pessoa que falara comigo: “Estas épocas deixam de ter sentido quando começam a faltar pessoas na mesa” e a verdade é exatamente esta, não digo propriamente na mesa em concreto, mas na vida. E que estarão sempre presentes no nosso coração, mesmo que já tenham partido para um mundo cujo poderá haver ainda vida, ou mesmo que apareçam quando nos sentimos mais sozinhos e mais “ninguém” fisicamente, estará à nossa volta.

E é por isso que não acredito, depois daquela morte que me marcou completamente para o resto dos meus dias até aqui (e já se passaram anos) eu deixei de ser crente em Deus, porque, me levou a minha preciosidade que teria na vida e mesmo assim roubou-ma. Tirou-a de mim sem pestanejar e me continua a magoar cada vez que os meus olhos conseguem olhar para o céu. E não há nada nem ninguém que consiga fazer-me acreditar em algo que poderá ser completamente inexistente. Eu tenho as minhas crenças, a minha diferença está em ser diferente de outras tantas iguais que caminham numa só direção, é aí que me destaco. Eu não estou neste mundo para agradar ninguém e as pessoas à minha volta só terão que respeitar e minimamente aceitar isso. Porque trata-se de uma escolha minha. 

Contudo, haverá outras tantas com a mesma crença que a minha, na que a vida dará as voltas que der, iremos sempre dar a um lugar e nada acontece sem uma razão prévia. 

Deus não comanda a nossa vida. Nós ou o destino é que a comandamos. Na maioria das vezes está tudo nas nossas mãos para acontecer, por vezes é que complicamos. 

Lembro-me da ultima vez que entrei numa igreja, não foi à muito tempo, aliás, até foi quando já não era crente em Deus e até foi na cidade onde eu estudara. Recordo-me que entrei, olhei para tudo por 30 segundos e virei costas. Naqueles 30 segundos longos na minha mente, só estaria duas almas presentes, a minha e da pessoa que perdi. Confesso que, saí de lá com um peso, como quando saí naquele dia em que a enterrámos. Por incrível que possa parecer, já não me senti bem o resto do dia, as correntes estavam demasiado pesadas para conseguir sequer lançar um sorriso verdadeiro. 




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