sentimentos (in)dolores


Eu perdi a força da vida, perdi mesmo. Nunca antes me senti tão em baixo, há dias e dias é verdade, mas isto custa mais que uma partida de alguém que não está aqui mais. 

Nunca antes tinha percebido a força que esta "irmãzinha" de 4 patas tinha para mim, aliás, eu já sabia disso, mas não com tanta intensidade. Ela dormiu comigo, noites e noites, ela percebia quando eu chorava e fazia "ronron" até eu lhe dar todas as más energias que eu carregava. 

A data marcada, data da despedida e data do fim, para mim. Eu sei que depois dessa data a minha ultima festinha será aquela, será a ultima vez que ela se irá roçar a mim e que me vai ver. E isso dói. 

Acompanhou-nos durante anos e tudo o que passámos vai-se desfazer em todo o pó das poeiras. Vai permanecer no meu peito em cinzas, ou irá ficar pedra, só de lembrar dos olhos verdes dela e da cor do seu pêlo. 

Lembro-me perfeitamente do pêlo dela molhado, quando se lhe dava banho, a maneira como ficava fofinha com aquela cabecinha super pequenina. E olhava para quem lhe deu banho de uma maneira séria do tipo "estás feita comigo". 

Os sustos que apanhei por saltar para cima da cama às tantas da manhã para se aninhar a mim ou porque abria a porta do meu quarto às escuras. 

Dos saltos que dava quando se assustava, da força como se atiçava quando algo temia, da força à touro que ela era.

A maneira como ela veio depois da batalha, toda ferida e suja, cheia de medo e eu só queria chorar por ela ter sofrido com tudo também.

Eles amam-nos mais que os humanos, amam-nos mais que tudo na vida, eles pressentem quando estamos mal, e carregam todo o nosso fardo, connosco. Não são egoístas, gostam mais de nós do que deles. São tão verdadeiros, humanos porém tão falsos. 

Vais estar sempre no meu coração, minha bebezinha. Eu irei cuidar de ti, mesmo de longe. 



Texto baseado em factos imaginários.



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