Sangramento Doméstico


Triste. Eu pergunto-me o que é ser triste… e o mais irónico disto é que eu sei a resposta, mas o ódio do passado no peito não me deixa responder pela boca e refugiar-me nas palavras e nelas, encontrar conforto, para não me sentir tão sozinha.

Triste é procurar a liberdade em 4 paredes que me deram (e dão) tanta dor e revolta. Triste é encontrar nos armários algo que me reconforte apenas a alma e nem isso encontrar, não é que algum dia tenho passado fome, mas torna-se revoltante não haver condições financeiras para colocar alimentos na mesa, encher armários ou não deixar que cortem a luz ou a água e cair do céu para noitadas, sustentar vícios ou diversões com rodas.

E o sentimento de impotência, esse mata-me aos poucos e poucos, querer ajudar mas não saber como, ou alguém que não quer ser ajudada mas que teme pelo seu futuro.

Eu mereço mais, nós merecíamos mais que esta merda de temer o chegar a casa e não saber se estará alguma arma apontada à nossa cabeça.

Nós merecíamos a felicidade e liberdade de chegar a casa e estar à vontade de pensamentos e problemas. É isso que sinto cada vez que não estou nestas quatro paredes que nunca, em momento algum, senti como se fosse um lar.

E invejo todas as pessoas, todas estas que conseguiram ganhar a coragem de sair de um inferno como este e hoje, apesar de tudo, de todas as divergências e dificuldades conseguem estar tranquilas com a vida.

Não há bens materiais que conseguem pagar isso, a liberdade. Simplesmente e unicamente não há. 

Pra quê? Dinheiro não é tudo, aparências não é nada pra mim.

O que me chateia é a sociedade viver iludido com o que as aparências mostram. Falarem do que não sabem e irem enfiar no cu a quem não devem tudo aquilo que se faz e aquilo que não se realizou sequer.

Mas digam que escrevi isto, digam. Sinceramente, da próxima vez que se encontrar um garrafão com uma faca espetada de fora para dentro, imaginem ser no peito de alguém dentro destas quatro paredes, mas ao invés de ser água a sair do mesmo, será sangue.

Não tenho dó nas palavras, tenho compaixão. Porque apenas as pessoas só vêm aquilo que querem ver.

Só gostava que tudo melhorasse e este sentimento de impotência, acabasse. Seja de que maneira for.



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