Não dá para ser forte muito tempo...
Tenho tentado aproveitar o resto das férias e do pouco tempo do verão que ainda se tem, mas há sempre uma altura em que acabas por chorar, acabas por te perguntar porque é que isto ou aquilo te está a acontecer e é isso que acontece comigo. Admito passei a noite a dançar numa festa... Mas sabem? Parecia estar feliz mas simplesmente não consigo ser mesmo feliz, ando a tentar parecer isso, ando a tentar disfarçar que não me magoa a minha bisavó ter partido numa altura em que precisava que ela estivesse presente... Ando a tentar disfarçar que o fim da relação não me magoe por dentro, o que já não magoa como antes, mas a dor permanece cá, no peito e não há forma de a tirar de dentro de mim. Não há forma de tirar memórias boas vividas como más, como aquele dia do funeral que está sempre presente na minha cabeça, não me traumatizou, simplesmente me lembro de todas aquelas caras presentes naquele dia a darem-me força para tudo o que estaria a acontecer... Me lembro de tudo o que se passou com um simples toque do sino da igreja da minha vila, porque o sino também tocou quando saímos da igreja e é isso que me faz assemelhar tudo aquilo, me lembro sem querer lembrar. Não é que não me queira lembrar dela, só não quero lembrar é daquele dia, daquele triste dia.
Ainda na quinta feira fui ao cemitério, ver a campa deles... Não chorei ali, não queria chorar, não tinha vontade de chorar como no outro dia, mas tinha algo no peito que me apertava bastante, e fiquei a olhar para ali, sem pensar em nada, simplesmente a olhar para as flores dadas... Ainda dei uma volta ao cemitério e disse para a minha avó "não gosto de vir aqui, é como se fosse um peso de tristeza enorme dentro de mim" e era verdade, aquele espaço é um peso enorme de tristeza, é muita tristeza junta.. Porque as pessoas só dão valor quando perdem, pelo menos a maior parte delas. E o que irrita bastante é as pessoas só darem valor às pessoas quando elas já partiram.. quando deitam abaixo as pessoas enquanto elas são vivas e quando decidem "deixar" a terra ainda têm a lata de dizerem "Ah, era boa pessoa".. poupem-me nessas merdas, porque são mesmo merdas, são pessoas de merda!
Sinto que, nos últimos dias tenho crescido bastante, tenho-me sentido mais forte, mesmo desabando a cada 2 minutos.. Sinceramente não sei como tenho tido tanta força para sorrir apesar de todas merdas que se andam a passar. Nem a cabeça anda a descansar porque é cada noite portas partidas, gritos às tantas da manhã, discussões atrás de discussões e ele sabia de todas as coisas que se passavam cá em casa, ele sabia que o meu pai chegou-me a bater, ele soube de muitas coisas e hoje? Simplesmente não me fala, não nos falamos e é com ele que me sinto completamente à vontade para falar nestes assuntos, posso falar com outra pessoa mas ele dava-me aqueles conselhos que se calhar ninguém conseguia dar, ele pedia-me para ter calma, ele ficava de boca aberta às vezes com as coisas que lhe contava... Ele parecendo que não marcou-me e basta uma palavra, uma atitude que me lembro dele, por muito que não queira que isso aconteça. Por muito que tente não me lembrar acabo sempre por o fazer, e irrito-me comigo mesma por isso acontecer frequentemente mas tento sempre tentar fingir que isso não mexe comigo, que aceitei bem a situação pelas coisas que aconteceram entre nós.
Mas há alturas em que uma pessoa desaba..
Há alturas em que uma pessoa acaba por perder as forças..
Há alturas em que não dá para ser forte muito tempo..
a Chynesa Anónima
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